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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cinquenta Tons do Que Você Quiser


Você não pode gostar de Disney e ainda inventar de ler livros eróticos. Tipo, isso é errado, não pode gostar de duas coisas assim tão diferentes. Falando em Disney, já pensou que uma hora você precisa crescer? Você ainda escuta Jonas Brothers? Eles nem existem mais e a única coisa que vale a pena ali são as fotos novas daquele irmão mais novo. Você gostava de High School Musical? Nossa, qual a sua idade mental? Eu podia jurar que Harry Potter era um livro para crianças, acho que está meio velha para isso de bruxaria e amor salvando tudo. Tem certeza que faz letras? Nunca leu os clássicos e tem coragem de falar que gosta de ler, só rindo mesmo. Nossa, mas você só fala e mostra os mesmos livros, não ter criatividade dá nisso. Vai ler outro New Adult? Sabia que existem outros livros? Hey! Eu gosto do que eu quiser, sabia? Agora está na moda criticar por criticar, já percebeu isso? As pessoas (não são todas, mas acabamos colocando de forma geral) acreditam que se elas não gostam de uma coisa, ninguém pode gostar. Afinal, se eu acho ruim, como que alguém pode achar bom? Eu devo saber muito bem o que é bom para todos, ainda mais sabendo que todos são muito iguais. Só que não. 

Percebi isso (de forma exagerada) quando resolvi ler Fifty Shades of Grey (Cinquenta Tons de Cinza). Quando postei a foto, e comentei em alguns lugares, muita gente ficou chocada com isso. Até mesmo depois que terminei o livro, e comentei que queria ver o filme, muita gente olhou torto (na internet e/ou fora dela). Hello! Eu tenho vinte anos e sou muito bem resolvida com o que quero ou não ver/ler. Nossa, mas seus pais sabem que você está vendo essas coisas? Minha mãe me deu a trilogia e eu vou ao cinema com ela, então, sim, ela sabe muito bem, obrigada. É meio chocante como que algumas pessoas deixam de fazer o que realmente gostam por ficarem pensando demais no que os outro vão falar. Já falei sobre isso em um outro texto aqui no blog, algumas pessoas acabam com medo da própria felicidade. Nossa vida já é tão complicada, não devemos complicar ainda mais cuidando da vida alheia. O que eu faço ou deixo de fazer é problema meu e é uma escolha minha. Nem tudo que é certo para mim é certo para outros e eu sei muito bem disso. Uma coisa é você pensar que o que uma pessoa fez/escolheu não foi legal, outra – completamente diferente – é você sair criticando isso. Você tem todo direito do mundo de não gostar de uma coisa, mas não tem o direito de criticar quem gosta. Seja um livro, um filme, uma banda ou até coisas mais extremas, como religião e crenças. A internet facilita muito esse ódio gratuito e isso acontece com todos. Estava vendo a página oficial de uma autora que gosto e fiquei chocada de ver os comentários que ela estava recebendo por (adivinhem só) ter lido o mesmo livro que eu li e comentei ali em cima. Eu vou continuar vendo e lendo cinquenta tons do que eu quiser e você devia fazer o mesmo.

É claro que algumas pessoas estão aqui para nos ajudar e falam, sim, coisas boas, mas nós conseguimos muito bem (e desde cedo) perceber quem são essas pessoas. De resto, temos as famosas 'críticas construtivas' que tentam esconder a vontade que alguns têm de simplesmente falar mal por falar mal. Se você está fazendo algo bom (uma coisa construtiva de verdade) não precisa de aviso ou rótulo, é algo implícito. Então, se alguma coisa deu na telha, faça acontecer. Se você quer postar foto de comida no instagram, poste. Se você quer ler livros eróticos em um ônibus (queria ter esse super poder de ler com o carro andando, rs), leia. Se você quer colocar legendas em japonês nas suas fotos favoritas do facebook, coloque. Seja os vários tons que quer ser, sem medo de um tom não combinar com o outro. Você gosta de ver desenho animado e ainda assim quer ser levado a sério no trabalho? Isso é ok! O fato de termos vários tons diferentes nas nossas escolhas e gostos não pode nos incomodar e se incomodar os outros, aí o problema já é deles, afinal, como falei ali em cima, já temos complicações demais.