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terça-feira, 1 de junho de 2021

O Livro dos Vilões (Vários Autores)

Eu já tinha lido o conto escrito pela Carina Rissi que faz parte desse livro, inclusive, a resenha dele (que acabou saindo como um livro único depois) foi publicada aqui no blog uns quatro anos atrás. Eu li esse livro pela Árvore de Livros num dia em que estava com vontade de ler alguma coisa bem levinha e rápida. Mal sabia eu que ia passar muita raiva com um dos contos (hehehelp), mas no geral é um livro legal e bem escrito, tirando o bendito do primeiro conto que eu queria ignorar a existência. Exatamente por isso, o livro acabou com três estrelas e meia. Temos quatro autores diferentes reescrevendo algumas das histórias dos contos de fadas, mas focando por completo no lado dos vilões. As escritas são bem diferentes, mas combinaram muito bem com as histórias escolhidas. 

Temos a Carina contando um pouco sobre uma nova versão de A Branca de Neve pelos olhos da madrasta. Além disso, passamos por uma versão completamente repaginada de A Bela Adormecida (que tinha tudo para ser a melhor do livro, mas perdeu por completo o rumo e teve um final duvidoso e meio problemático). Até mesmo o Lobo Mal faz parte de um dos contos e achei bem legal como o mundo mágico dos contos de fadas foi retratado nessa versão. E por último (e menos importante) temos a versão das irmãs de Cinderella e o caos que esse conto é. Juro, é absurdo atrás de absurdo com poucos detalhes que conseguimos salvar, mas que perdem o destaque no meio de tanta coisa problemática. Como é um livro com quatro contos de quatro autores diferentes, vou contar mais um pouco sobre cada conto de forma geral, afinal, qualquer coisa além que eu fale sobre pode acabar virando spoiler. Além disso, teve vlog de leitura lá no canal e acabei comentando muito por lá também. 

O conto da Cecily Von Ziegesar (autora de Gossip Girl!) é um grande show de preconceitos, gordofobia, caos e machismo. Eu fiquei muito animada com toda a ideia de ver esse lado das irmãs da Cinderella, ainda mais porque a história se passa em Nova Iorque, mas o trem desandou de forma desastrosa. A ideia em si era boa, as irmãs iam para um baile famoso dos alunos da cidade com notas boas, elas queriam o sapato da moda, que só tinha no tamanho da Cinderella, e mais alguns detalhes bem legais e criativos (como a mocinha não dando muita bola para o pseudo-príncipe). Mas a grande maldade das irmãs e como a Cinderella reage a tudo isso é um grande caos. Comentários absurdos, machistas e gordofóbicos que me deixaram chocada e sem entender como ele foi publicado nessa leva (ok, a autora é famosa, eu sei).

O conto da Diana Peterfreund que foca no que seria uma Malévola atual, da história da Bela Adormecida foi o mais legal, mas também caminhou para um final problemático e levemente desastroso. Se segurou naquele clichê de adolescente que muda por completo para se encaixar na escola, mas acabou de forma rápida (deixando quase sem solução o drama) e, quando parei para analisar, percebi que o buraco era mais em baixo e tinha sido algo delicado e problemático real. A personagem principal vinha de uma família de bruxas (que fazia poções e pequenos encantamentos para as pessoas da cidade) e um dia ela resolve que queria estudar na escola. O que ela não imaginava era que ser uma adolescente "normal" era muito complicado e isso implica romances que não funcionam, amigas falsas e uma festa com um fim bem duvidoso.

O conto da Carina Rissi é mais fácil eu colocar um ttrecho da resenha que escrevi quatro anos atrás, por mais que eu de fato tenha relido agora também. "Eu acho que estava esperando um pouco demais e, por conta disso, quebrei um pouco minha cara. (...) Não me apeguei a personagem principal, fiquei com preguiça de ler em alguns momentos e fiquei sem entender como que isso podia estar acontecendo. Aqui vamos falar da história da Branca de Neve, pelos olhos da Madrasta. (...) Eu tentei gostar da Malvina, eu juro que tentei, mas vilã de conto de fadas não me desce (haha). Entendo que ela não deixaria de ser malvada, afinal, é apenas uma releitura do conto, mas meu Deus, que personagem irritantemente metida. Mais uma vez, sei que essa é a personagem, que faz sentindo e tudo mais, mas você não consegue entendê-la, nem torcer por ela e, para falar a verdade, nem por ninguém ali. A ideia era mostrar o lado da Malvada, mas continue torcendo pela mocinha, rs. (...) Carina não deixou de ser Carina. Afinal, podemos ver todos os detalhes do clássico nas entrelinhas e isso é bem legal. Mas acho que teria curtido mais se fosse pelo ponto de vista da Bianca, teria mais torcida e até uma estrela a mais no final.

Por último, mas não menos importante, temos a versão do Lobo Mal por Fábio Yabu. Esse foi o que mais me surpreendeu, mas também o que menos me prendeu. Todo o drama em volta do mundo dos contos de fadas e as escolhas (ou não) dos personagens e como aquilo vivia se repetindo é algo muito legal e genial, mas a escrita não me segurou muito (o que não quer dizer que seja ruim, é só que não foi muito para mim). Foi o conto em que o vilão de fato mais se destacou e que seguiu toda a ideia do livro mais a fundo. Como eu disse, bem criativo.

Vale a pena? Olha, acho que vai muito do gosto de cada um. No final das contas um pouco de cada (menos o da Cinderella) valeu bem a pena para mim, mas definitivamente não viraria uma releitura no futuro. 


o livro dos vilões
AUTORA: vários autores
EDITORA: galera RECORD
PÁGINAS: 320
SKOOB DO LIVRO.
MEU SKOOB.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Escola de Vilões (Jen Calonita)

Eu definitivamente adorava essa autora quando era adolescente. Uma das séries que mais me marcou na vida, Segredos da Minha Vida em Hollywood (sim, sempre amei tretas hollywoodianas), é dela e, depois de um bom tempo, também li outro livro da autora e gostei bastante (Caindo na Real). Quando achei esse livro (em formato de ebook) para ler, toda a história me chamou bastante atenção. Ele tem uma vibe de Descendentes (da Disney, mas sem a parte dos filhos dos heróis e vilões) com um pouco de Hex Hall (da Rachel Hawking, que eu amei a trilogia e tem vlog de leitura no canal). E realmente foi uma leitura muito leve, divertida e agradável. Não é o tipo de livro que vai mudar a sua vida e marcar muito, mas tudo bem. Ainda assim, ele cumpre muito bem seu papel e eu adorei. Inclusive, devo ler em breve a continuação (lembrando que li esse livro em março, é que as resenhas saem um pouco mais atrasadas aqui no blog, mas seguem em dia nos vlogs de leitura do canal). Em resumo, o livro ficou com quatro estrelas e é ótimo para quem quer ler algo leve, mas que vale a pena.

Gilly vive em um mundo em que princesas de contos de fadas são reais e os vilões ainda existem, fadas madrinhas realmente criam sapatinhos de cristal e, inclusive, acabam tirando o sustento de quem com tanto carinho antes fabricava os sapatinhos do reino. A realeza domina a área e pouco sobra para os trabalhadores do lugar. É exatamente o que aconteceu com o pai de Gilly, que perdeu o posto de sapateiro para a Fada Madrinha (que roubou a ideia dele!). Vendo por esse lado, até entendemos toda a revolta que a menina sente pelas pessoas que controlam o reino, Encatadópolis, mas nada disso justifica o que ela estava fazendo. Ela estava se tornando uma ladra para conseguir levar coisas para a sua casa e ajudar a cuidar de seus irmãos (mesmo com os pais sendo contra). 

O problema, era que ela já tinha sido pega três vezes pela guarda real dos anões da Branca de Neve e, com isso, ela precisaria ser mandada para a Escola dos Vilões, que na verdade, se chamava Reformatório dos Contos de Fadas. Os professores da escola são os ex-vilões (Lobo Mau, Rainha Má, a Madrasta da Cinderella...) das histórias dos contos de fadas e os alunos são os jovens do reino que estavam quase virando novos vilões, para já cortar o mal pela raiz. O problema, é que duas das maiores viãs das história se recusaram a passar pela escola e seguem foragidas pelo reino. E o maior foco delas no momento é atacar a escola para, de alguma forma, chegar até as princesas. E aí, será que vilões conseguem fazer um trabalho de heróis?

Gilly é uma ótima personagem principal, mas em alguns momentos é meio lenta e, por conta disso, toda a história ficou um pouco sem ritmo também. Muitas críticas sociais dão as caras nesse livro e eu achei isso muito legal e muito bem escrito. Ainda mais por estarmos falando de um livro infanto-juvenil. Toda a parte dos novos vilões do reino serem, em sua maioria, pessoas que de alguma forma estavam sem emprego ou tinham sido esquecidos pela realeza. Ou ainda, no caso da Gilly e sua família, pessoas que tinham sido afetadas pela ambição de uma pessoa que todos consideram como boa. No geral, é um livro que cumpre o que promete e, como comentei, é uma leitura bem leve. Algumas das reviravoltas me surpreenderam e eu gostei disso no final. Indico para quem está com vontade de um livro leve que bagunça por completo o mundo dos contos de fadas.

Escola de Vilões
Autora: Jen Calonita
Editora: Única
Páginas: 221
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Meu Skoob.