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terça-feira, 23 de março de 2021

A Festa de Formatura (Saudra Mitchell)

Quem acompanha o blog, sabe que sou completamente viciada em musicais da Broadway. No começo do ano passado, pouco depois que a quarentena começou, eu assisti online ao musical The Prom e fiquei completamente apaixonada pela história e pelas músicas. Na mesma hora ele entrou para a lista dos meus favoritos e eu não parava de cantarolar as músicas pela casa. Não muito tempo depois, descobri que o musical estava sendo adaptado para as telas da Netflix e fiquei ainda mais empolgada quando vi o elenco maravilhoso que o filme teria. O livro já havia sido publicado lá fora, mas o preço estava absurdo (com todos os livros gringos no momento, vide o preço do dólar). Quando vi que iriam lançar aqui no Brasil fiquei mega animada e, claro, garanti o meu. Mas não li correndo assim que ele chegou... muito pelo contrário, eu enrolei um bom tempo para ler (e li em fevereiro, lembrando que as resenhas estão saindo um pouco atrasadas aqui no blog, mas os vlogs de leitura no canal são em tempo real). Sabe quando você gosta demais de uma coisa e fica com medo de estragarem essa coisa? Normalmente é ao contrário, né? Um livro sendo adaptado e tudo mais, mas agora era o caminho contrário (hehe). Mas é claro que não acabou nada mal e o livro ainda ficou com cinco estrelas e eu amei demais todas as mudanças e adaptações que fizeram para transformar essa história em um livro.

Emma só queria dançar com sua namorada no baile de formatura. Não podia ser tão complicado assim, não é mesmo? As duas já estavam juntas tinha um bom tempo, mas apenas Emma já tinha se assumido na escola (e totalmente sem querer). Alyssa vinha de uma família que via tudo o que ela sentia como errado e ela estava com medo de como sua mãe iria reagir a notícia. Exatamente por isso, as duas estavam planejando chegarem juntas ao baile... e dançar. Ela queria aquele momento para elas, mas a escola não estava muito disposta a resolver isso. O grupo de pais da escola, quando soube que Emma levaria uma menina, na mesma hora começou a criar regras de que só poderiam casais héteros na festa e que ela estava indo contra tudo isso. Ela não queria criar uma revolução, mas acabou começando uma mesmo assim.

Alguns atores da Broadway estavam precisando de uma causa. Algo que os colocaria nos jornais e que mostraria para todos que eles se importavam com as pessoas, diferente dos que os jornalistas tinham para falar. Com a ajuda do twitter, eles descobrem o caso de Emma e resolvem que vão até a cidadezinha dela para ajudá-la... do jeito deles é claro. Com muito show, música e atenção da mídia. Não era o que Emma queria, ela só queria dançar com Alyssa. Nessa bagunça todas, as duas vão entendendo como o relacionamento delas pode funcionar e como vão seguir com isso, além de tudo que está acontecendo com os pais dos alunos, que estão causando, e do diretor tentando resolver tudo da melhor maneira possível.

Não vou negar, toda a parte das estrelas da Broadway tentando salvar a Emma no musical/filme é bem legal, mas tinha muito momentos que eu queria conhecer mais delas e estavam focando neles (e eu entendo haha)... mas o livro conseguiu mudar isso de um jeito muito fantástico. Claro, os famosos que vieram ao resgate ainda têm seus momentos de destaque, mas o foco é a história das personagens principais e da luta delas. Amei também que muuuuuitos trechos das músicas acabaram viraram falas dos personagens e esse era um dos meus medos no começo da leitura, sentir falta das músicas. É claro que não é a mesma coisa, mas achei genial colocar como falas em alguns momentos (não ficou exagerado também). Mas eu acho que, para quem não viu nem o filme nem o musical o livro pode ficar um pouco confuso por conta de todas essas adaptações. Para mim, que já vi os dois, p livro ficou completo e ainda trouxe coisas além (como elas se conhecendo e tudo mais), mas acredito que para quem não conhece a história vai ficar sem a experiência completa da leitura... mas isso é bem simples de resolver, bata assistir o filme e depois ler o livro e ser feliz.

O livro, assim como o musical/filme, trata de assuntos sérios e muito importantes de um jeito leve e divertido. Claro, com alguns dramas e sofrimentos aqui e ali, mas isso apenas porque a vida também é assim e seria bem sem noção retratar algo sem esses fatores, na verdade, se fosse assim nem teríamos história. Um livro leve, rápido e que deixa aquele quentinho no coração quando terminamos. Indico demais para quem gostou do musical/filme ou para quem, apenas, quer um livro leve e gostoso de ler com um assunto tão importante como pano de fundo. 

A festa de Formatura
Autora: Saudra Mitchell
Editora: Bertrand
Páginas: 256 
Skoob do Livro.
Meu Skoob.

sábado, 13 de agosto de 2016

Na Estante: Harry Potter and the Cursed Child


Quando eu comecei o blog, alguns anos atrás, nunca que imaginava que resenharia um novo livro sobre Harry Potter, mas aqui estou eu. Quase dez anos após o lançamento oficial do último livro do bruxinho, a autora, J.K. Rowling, resolveu dar um presente para os fãs. É isso que Cursed Child é, um grande presente para quem ama a história que a J.K. criou. Não vou negar, e vou falar de uma vez, estava com os dois pés atrás com esse livro (que, na verdade, é o script da peça que está em Londres). Afinal, por mais que tenha dedo da autora nessa nova história, temos também dois novos autores que ajudaram com a criação da peça. Para complicar ainda mais a minha vida, recebi milhares de spoilers nessa coisa que chamamos de internet e, como foram spoilers picados, tudo parecia uma grande fanfic mal escrita. Ok, não posso negar, a história tem um grande quê de fanfic, mas isso só a tornou mais interessante e, ao meu ver, ainda mais agradável para os fãs que sonhavam com essa continuação. E é um livro (script) escrito maravilhosamente bem. Foi um presente e não me canso de falar e pensar nisso. Exatamente por isso, recebeu cinco estrelas e um coração de favorito no meu skoob, como todos os outros livros do mundo bruxo. Não se preocupem, não postarei nenhum tipo de spoiler aqui, afinal, é uma história que merece as surpresas que oferece. Eu ri de doer a barriga (e quem sabe até mesmo acordei alguns vizinhos), eu chorei de solução, eu me senti em casa no mundo mágico, me emocionei e torci com os personagens. Isso tudo em pouco menos de quatro horas (seguidas), que foi o tempo que levei para ler todos os quatro atos da peça. Ah, ainda tem isso! Como é uma peça, conseguimos imaginar perfeitamente o cenário e tudo mais, ou seja, só fiquei com mais vontade de ir para Londres ver tudo isso. Só de imaginar a magia acontecendo num palco já fiquei arrepiada. Ok, menos falação de fã e mais resenha, não é?

A história começa exatamente onde parou, dezenove anos depois onde tudo estava bem. Estava. Logo conhecemos Albus a caminho de seu primeiro ano na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. O medo de cair na casa errada e de não se enturmar assombravam o garoto, mas ele tinha grandes esperanças de que tudo daria certo no final. Logo no trem, ele faz uma grande, e inesperada, amizade, Scorpius Malfoy. Um grande amante dos livros que carregava um peso parecido com o de Albus nas costas. Um sobrenome famoso e toda uma história. Não era fácil lidar com as fofocas, boas e ruins, que se espalhavam pela escola, ainda mais quando todos esperavam tanto do filho do grande Harry Potter e ele, no meio disso, queria apenas ser um garoto normal. Tudo só se complica ainda mais quando seu maior medo vira realidade, o chapéu seletor resolve que ele deveria ir para Sonserina. Pelo menos ele ficaria perto do amigo, era o que o consolava. Os dois se aproximavam cada vez mais a cada ano que passavam lá, afinal, eles se entendiam e sentiam o mesmo peso. Albus aos poucos foi percebendo que ele era tudo, menos o que esperavam dele. Isso inclui seu próprio pai que, por mais que sempre apoiasse o filho, não sabia exatamente como lidar com as escolhas dele.

"Eu não escolhi, sabe? Eu não escolhi ser filho dele." Página 28
(Tradução livre)

Quatro anos se passaram e Albus chega numa fase rebelde de sua adolescência. Seu pai definitivamente não o entendia e a escola só ficava pior a cada segundo. E é aí, no meio disso tudo, que ele escuta, sem querer, uma conversa entre seu pai e um antigo conhecido dele, Amos Diggory. O pai de Cedrico queria uma única coisa de Potter, seu filho de volta. Haviam grandes boatos no mundo bruxo de que o Ministério da Magia, com a Ministra Hermione, tinham um vira-tempo, que havia sido apreendido pelo próprio Harry numa operação dos aurores. Um objeto completamemente ilegal, mas que se bem usado poderia salvar uma vida (e mudar toda a história ao mesmo tempo). Aquilo entra na cabeça e Albus e, como estava distraído, não percebe que estava sendo observado. Delphi, que se apresenta como a sobrinha de Diggory, estava logo ao lado dele, também ouvindo tudo. Harry, obviamente, nega toda a história do vira-tempo e, pedindo muitas desculpas, se recusa a fazer o que Amos estava pedindo. Albus fica com aquilo na cabeça e, com a ajuda de tudo que ele estava passando, começa ver o pai como uma grande farsa, afinal, como assim ele, o grande Harry Potter, não poderia ajudar aquele senhor? No final das contas, Cedrico havia morrido por causa dele. E é aí que, no meio da viagem de trem para a escola, Albus decide que vai mudar a história com ajuda de seu melhor amigo e, claro. Delphi. Afinal, ela também fazia parte da história. O que eles não imaginavam é que até mesmo uma pedra fora do lugar no passado pode alterar drasticamente todo o futuro, e eles vão descobrir isso da pior maneira possível. Vivendo isso. 

"Nós não iremos mais existir e Voldemort reinará novamente." - Página 250
(Tradução livre)

É complicado não citar spoilers (mas consegui, rs). Toda a história é ligada no 220v e quando eu acreditava que já tinha visto de um tudo, boom, algo ainda mais surpreendente acontecia. Meu personagem favorito do livro é o Scorpius. Ele tem um jeitinho meio Hermione, todo sabe-tudo, mas de um modo único e muito leve. Albus é um grande personagem também, mas toda a estrela do livro, na verdade, é a relação de pai e filho que ele tem com o Harry. Ah, não posso esquecer o lado cômico de Ron(y), que rendeu muitas gargalhadas e uma saudade sem tamanho. Até mesmo o Draco me surpreendeu na história e eu amei cada segundo disso. Eu amei rever todos os personagens de forma geral e, quando digo todos, bom leiam o livro para entender isso melhor (rs). Como disse ali em cima, foi um presente para os fãs que criavam mil e uma teorias sobre o futuro da história. Ainda sem dar spoilers, os leitores podem ver o que aconteceria em várias possibilidades de futuros e como isso afetava cada um. Sem esquecer que em vários momentos temos flashbacks emocionantes que, para quem é fã, dá aquele quentinho no coração.

É uma história leve, emocionante, divertida e, definitivamente, feita para os fãs. Mesmo sendo um script, conseguimos entender o que cada um está sentindo e como aquilo afeta diretamente na história. Gastei tantos post-its que achei que minha cartela fosse acabar. O que me fez pensar sobre reler, mais uma vez, toda a série, mas dessa vez com os post-its do lado. Não vou negar, achei o último ato, e toda a resolução dele, um pouco corrido, mas ao mesmo tempo gostei de como tudo termina. Me senti bem com os personagens e tudo mais. Foi como rever grandes amigos que mudaram a minha vida, afinal, é isso que Harry Potter significa para mim. Uma mudança que afetou tudo em minha vida de uma maneira muito boa. Algo que me transformou e me fez chegar onde cheguei. Estava um pouco revoltada por ter essa peça só lá em Londres e blá-blá-blá, inclusive, estava evitando ler qualquer coisa sobre essa história, mas ao abrir a primeira página fui levada para o mundo mágico como quando abri o primeiro livro da saga pela primeira vez. Fantástico define, mágico explica. 

Harry Potter and the Cursed Child
Autores: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Scholastic
Páginas: 320
Skoob do Livro.
Meu Skoob.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Desafiando a Gravidade


Quem me acompanha no snapchat (bellslopesbde) e no instagram já viu o que vou contar por aqui, mas o fato é que precisava compartilhar mais essa realização com vocês. Como já disse, algumas muitas vezes, vocês são meus amigos e coisas boas precisam ser compartilhadas, não é mesmo? Sempre sonhei em ver um musical ao vivo, não é segredo que sou mega-ultra-blaster fã desse estilo de filme/peça e a Broadway é um sonho antigo. Ainda não conheci New York, ah, mas está nos planos, rs. Já tinha visto alguns musicais nas minhas idas à Disney e, por mais que sejam nível broadway, eu ainda não tinha visto algo em um teatro mesmo (alok) e eu já tinha até mesmo uma lista de peças que queria muito ver. Bem no topo dessa lista estava Wicked, um musical (baseado em um livro) que conta a história por trás da história (já famosa) do Mágico de OZ. Como a bruxa má virou má? De onde veio a bruxa boa? E o homem de lata? Enfim, eu conhecia a ideia da peça e até mesmo algumas da músicas e é exatamente aí que meu sonho começou e é para isso que estou aqui hoje.

Mais ou menos seis anos atrás, eu vi um episódio de Glee em que alguns personagens cantavam uma música bem difícil, mas ao mesmo tempo muito linda e emocionante. A música em questão era Defying Gravity. É claro que eu fui atrás de tudo sobre a música e logo descobri que ela fazia parte de um musical muito famoso, Wicked. Sério, o musical é uma febre nos EUA e quem não viu, assim como eu na época, sonha em ver. Claro que passei um bom tempo vendo vários vídeos da peça no youtube e assim seguiu pelos seis anos. Eu até mesmo já sabia algumas das músicas (em inglês) de cor. O sonho parecia muito distante e, às vezes, até mesmo impossível, afinal, para poder ver a peça eu teria que parar na Broadway (ou em Londres) e isso só complicava as coisas ainda mais. Mas vocês me conhecem, não é? Continue sonhando, sempre.

No começo do ano as propagandas começaram a pipocar no facebook, a peça estava confirmadíssima aqui no Brasil e teria todo o apoio e aparatos da Broadway. Pensa em uma pessoa pirando. Sério, eu saí marcando Deus e o mundo nos posts sobre isso, afinal, queria todo mundo vendo a notícia e, mais que isso, queria uma companhia para fazer essa loucura (a peça só estaria em cartaz em São Paulo). Sério, eu passei uns dois meses marcando minhas amigas e minha mãe nos posts oficiais da peça, foi muita loucura da minha parte e sou grata por ninguém ter me matado por isso, rs. E aí veio a notícia que me lembrou que sonhos são feitos para virar realidade. Minha mãe (e algumas amigas dela) compraram os ingressos (sem me contar!) e nós iríamos comemorar o aniversário da minha mãe vendo a peça. Foi a surpresa mais linda do planeta. Eu só soube que iríamos depois que tudo estava pronto e meu coração cresceu três vezes de tamanho, era amor demais. Coloquei para contar os dias no meu celular, comecei a acompanhar as atrizes no insta e snap e evitei ao máximo ver os vídeos que já haviam sido divulgados da peça daqui. 

Quando o final de semana da viagem chegou, foi uma verdadeira loucura. Eu tive que viajar muito alok para isso tudo acontecer, mas, bom, é claro que não me arrependo de nada. Tive que ir da minha cidade para a cidade dos meus pais na sexta (porque a passagem de onde eu moro para SP é um roubo e a viagem demora uma vida, valeu bem mais a pena a loucura que fiz). Aí na sexta fomos de van (o grupo todo) da cidade dos meus pais para São Paulo. A viagem em si já foi um grande presente, aproveitei horrores, ri muito e ainda tomei um frappuccino maior que a minha cabeça (minha bebida favorita). E aí teve a peça, é claro. Eu estava ansiosíssima. O palco era gigante e a estrutura me deixou sem palavras. Durantes as três horas de apresentação eu fiquei variando entre estar boquiaberta e estar chorando (ou o conjunto da obra). Era tudo tão magnífico, grande, brilhante e único que eu estava vivendo um sonho, literalmente.

A peça em si ficou com um gostinho brasileiro único, piadas com um timing maravilhoso e coreografias de deixar qualquer um sem fala (imagina uma ex-bailarina!). As músicas. Meu Deus do céu, as músicas. As adaptações ficaram maravilhosas e se encaixaram perfeitamente na peça e em toda a história. Ah, a história. É tipo assim, fora de série. Nunca mais vou ver O Mágico de OZ da mesma forma. Fiquei apaixonada pela história da Elphaba e da G(a)linda. Conhecemos uma Oz completamente nova e com muito sentido, vemos de onde cada personagem veio e como cada coisa aconteceu na história já conhecida. Até mesmo como a Dorothy foi parar lá tem uma explicação. E, é claro, teve Desafiar a Gravidade (Defying Gravity). Era o que eu mais estava esperando e é a música que fecha o primeiro ato. Uma palavra para definir? UAU.

Eu saí da peça flutuando (ainda mais porque ganhei, também de surpresa) a blusa oficial de presente da minha mãe e tive mais alguns ataques. Já saí planejando que precisava ver de novo e, sim, está nos meus planos isso, rs. A loucura seguiu comigo no resto do final de semana, porque no domingo cedo saímos de SP e seguimos para a cidade dos meus pais. Dormi por lá, mas segunda pela manhã (seis da manhã, para ser tristemente exata) já estava no busão voltando para casa. E já cheguei indo trabalhar, rs. Enfim, a história das bruxinhas de OZ me tocou de um jeito maravilhoso e, até mesmo, me fez pensar sobre muitas coisas (ganhei o livro de presente e em breve ele deve aparecer por aqui). Sem esquecer, é claro, que mais uma vez vivi um sonho e, ainda por cima, desafiei a gravidade (haha). Continue sonhando, sempre e sempre.