sábado, 4 de abril de 2020

Na Estante: The Deal (O Acordo)


Não se deixe enganar pela capa do livro (a capa da versão brasileira é bem melhor). Eu quase me deixei e poderia ter perdido uma leitura muito boa. Eu amo livros clichês e nunca escondi de ninguém que sou louca por new adults, mas tem hora que o exagero e apelo nas capas e títulos me cansam um pouco. E não, não estou tentando ser puritana e/ou tentando esconder o fato de que sim, esses livros tem um pezinho lá no erótico (muitas vezes, até os dois pés mesmo). É só porque passei um bom tempo tentando achar livros bons no kindle essa semana e foram muitas listas que não me chamaram a atenção. No final, percebi que estou bem chata. Na verdade, estou insuportável. Desde que comecei a pensar um pouco mais sobre a série de problemas que encontramos em muitos livros (e eu falei melhor sobre isso em um vídeo) eu fico sempre esperando não gostar do clichê (que tanto amo!). Em resumo, esse livro apareceu em muitas das listas que olhei no goodreads e, além disso, uma amiga me indicou e, para completar o pacote, ele estava de graça na amazon (em inglês). Ou seja, ele estava lá e eu também e pouco menos de um dia depois cá estou eu escrevendo a resenha dele que ficou com cinco estrelas no final das contas. Menos blá-blá-blá e mais resenha, eu sei. Então vamos lá e vocês já conhecem meu esquema. Vou contar um pouco da história e, depois, conto mais da minha pequena e humilde opinião sobre ela.

Hannah já passou por muitos traumas em sua vida, mas nunca usou disso para se passar de coitadinha ou para receber mais atenção. Muito pelo contrário, a estudante de música luta diariamente para ir contra o que seria esperado e, dentro do possível, consegue controlar muito bem suas emoções e o caos que é a cabeça dela. Ela estava muito preocupada com uma apresentação da faculdade que poderia lhe render uma bolsa extra de estudos e, com isso, quase não restava tempo para pensar em muitas coisas. O que ela não esperava, era que o novo aluno da faculdade, transferido de outro estado, chamaria tanto a sua atenção. Justin parecia ser tão diferente e, além disso, era tão lindo. Era inteligente também e sempre se mostrava um cara legal. Pelo menos isso era o que Hannah imaginava, uma vez que nunca nem sequer havia trocado um cumprimento sequer com ele. Ela precisava de um plano de ação, alguma coisa que fizesse Justin ao menos olhar para ela. O que ela não imaginava era que o plano viria em forma de jogador de hóquei. 

Garrett estava zero interessado em brincar de cupido, mas, ao mesmo tempo, ele precisava desesperadamente da ajuda de Hannah para conseguir passar nas provas de uma matéria. Além disso, se suas notas não melhorassem, ele não poderia mais jogar e isso, para ele, seria o fim. No geral, ele ia muito bem nos estudos e aquela matéria era a única que ele não estava conseguindo ir bem e, por sorte, Hannah havia conquistado a melhor nota da turma. Ele só precisava fazer um acordo com ela. Ela o ajudaria a estudar para a prova e ele a ajudaria a chamar a atenção de Justin. Mas é claro que a vida não segue simples assim, afinal, com o tempo que os dois passam junto começam a se conhecer melhor e o foco principal da história acaba ficando em segundo plano quando eles percebem que pode ter algo mais ali.

Vamos começar com os pontos positivos? Sim! A leitura é relativamente leve, por mais que o livro aborde temas pesados em muitos momentos (alerta de gatilho para estupro e violência doméstica). E é aí que entra um dos meus primeiros elogios ao livro, ele não passa pano para atitudes machistas e problemáticas, inclusive, ele muito sutilmente até mesmo zoa alguns desses pontos o que achei bem fantástico enquanto estava lendo. É perfeito? Não. Infelizmente não foi dessa vez, mas se compararmos com outros livros, esse se superou demais em como abordar, de forma saudável, a relação dos personagens principais e todas as outras relações que eram citadas. Garrett respeita muito a Hannah e não colocado isso de forma forçada para parecer legal, não, é uma relação de fato com muito respeito e que dá gosto de ler e acompanhar. Sobre o alerta que dei ali em cima, não vou dar spoilers, mas é algo muito citado no livro todo. Poderia ter sido abordado de forma melhor? Sempre. Mas acho que como um simples romance clichê, o livro faz mais que bem o papel dele.

Sobre pontos negativos, na verdade, só tenho um comentário. Achei que quando o livro chegou na metade enrolou muito. Acho que uns 15% da história poderiam não estar ali que não fariam falta e deixariam o livro mais leve e gostoso de ler. Isso atrapalhou minha leitura? Sim e não. Quando isso começou a acontecer já estava de noite e eu coloquei o kindle de lado e fui dormir, terminando a leitura só pela manhã. Se não tivesse enrolando tanto, eu provavelmente teria continuado a leitura e terminado logo. Mas isso atrapalha tudo? Não. Tanto que o livro continuou com cinco estrelas.

No geral, é um livro muito bom para quem, assim como eu, ama clichês e new adults raiz de qualidade. Já vi que a autora tem mais livros, inclusive mais alguns que se passam no mesmo universo desse e estou bem curiosa para conhecer mais da escrita dela. Não vá esperando um livrinho leve, afinal, expliquei bem que ele aborda temas bem delicados e que, de verdade, não são leves de ler. Indico também para quem curte livros que se passam na universidade, porque ele tem um ar bem gostoso de universitário. 

The Deal (o Acordo)
Autora: Elle Kennedy
Editora: Createspace Publishing
Páginas: 357
Skoob do Livro.
Meu Skoob.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Na Estante: Conto de Fadas Rock'n Roll - O Vocalista


Vocês não imaginam a saudade que eu estava de escrever resenhas, afinal, as últimas que liberei foram todas em vídeo. E, bom, vocês me conhecem. Sabem o quanto que eu amo escrever e, sobre esse livro, tenho muitas coisas para falar. Eu estava com expectativas bem altas para a leitura, uma vez que muita gente me indicou essa autora e, mais que isso, muita gente me indicou esse livro em específico. Agora que sou uma pessoa muito chique com o Kindle Unlimited quis aproveitar ao máximo e ler mais ebooks (tanto que dos últimos que li, apenas um era livro físico). Como esse livro faz parte do pacote Unlimited fui sem medo de ser feliz... e quebrei um pouco a cara nessa brincadeira. Eu simplesmente detesto não gostar de um livro, ainda mais quando é de autor independente, porque eu sei o quão difícil é publicar e receber críticas, mas realmente teve muita coisa na leitura que me deixou um pouco incomodada e, por isso, a leitura acabou ficando com apenas duas estrelas (e isso me dói demais, de verdade). A escrita é gostosinha na maior parte do tempo, a história em si é bem legal e, de fato, tinha toda a receita que normalmente amo (e que inclusive um dos meus livros publicados, On Stage, segue uma linha parecida) com pessoas famosas e uma bailarina (que só cita isso umas duas vezes), mas mesmo assim não rolou. Como sempre, vou contar um pouco da história para vocês e depois conto mais o que me levou a dar essas benditas duas estrelas.

Nicole Black estava vivendo um dia caótico em que tudo estava dando errado. Ela estava indo realizar um grande sonho, assistir ao show de sua banda preferida, mas a lei de Murphy estava definitivamente contra ela. Depois de se atrasar e tentar cortar caminho, ela acaba sendo atropelada pelo motorista da banda e, com isso, a vida dela muda por completo em (literalmente) questão de segundos. Dentro do carro estava seu amor platônico de uma vida toda, o vocalista da banda, Malcolm Black. Ela acaba precisando de atendimento médico, por mais que estivesse relativamente bem, e o motorista da banda acaba levando-a para resolver isso. Ao voltar da ida rápida ao hospital tudo começou a acontecer (literalmente) muito rápido. Ela é logo colocada no camarim da banda como um pedido de desculpas pelo ocorrido e, com isso, ela conhece todos os integrantes que vão logo com a cara dela e é assim que, em questão de minutos, ela resolve alguns problemas de imagem deles e é contratada para trabalhar com a banda.

Já no dia seguinte, todos embarcam de volta para Califórnia, estado sede da banda, e Nicole vai junto, afinal, já estava trabalhando com eles. Por não ter onde ficar, a banda toda oferece para ela um quarto na casa do sexy e rabugento Malcolm, afinal, todos perceberam como eles trocaram faíscas e estavam atraídos um pelo outro desde que se conheceram (um dia antes). A relação deles vai ficando cada vez mais complicada, uma vez que um não entende o que o outro sente de verdade e, para complicar ainda mais, existe uma cláusula no contrato que ela assinou a proibindo de ter relações com os integrantes da banda. Com o andar da história, vamos acompanhando o desenrolar da história de amor dos dois e de como ela vai lidando com a fama repentina que surgiu com tudo isso.

Ok, vamos por partes. A primeira coisa que me deixou um pouco incomodada com esse livro é o tanto de coisas que não encaixam na realidade da história. Coisas que são muito bobas, mas que me tiravam da história e atrapalhavam a leitura. Detalhes esses que não são comuns nos Estados Unidos, mas que ali eram colocados como se a história acontecesse no Brasil. Coisas bobas mesmo, tipo pão de queijo sendo vendido numa parada de ônibus no interior do estado de New York. Ou a personagem principal falando que queria ouvir axé, mas sem contextualizar que era um estilo de música brasileiro. Foi com isso que o livro perdeu a primeira estrelinha dele. Outra se perdeu pela rapidez com que tudo acontece e a falta de lógica cronológica que eu senti enquanto estava lendo. Em menos de 48h a menina foi atropelada pelo amor platônico da vida dela, foi para o camarim da banda, foi contratada, esqueceu que ela tinha uma vida na cidade dela (amigos e famílias só são lembrados quase que no final da história, mas nunca nem passaram na cabeça dela no começo), mudou de estado, começou a morar com alguém que ela não conhecia e virou sub-celebridade. A vida dela é anulada e só existe o amor, galera, isso não é saudável. Além disso, não conseguia entender muito bem o tempo passado. Tipo, uma hora eles acabaram de se conhecer e na outra preciso perceber pelos detalhes da cena que pode já ter passado um mês na história.

Mas até aí estava tudo relativamente bem e eu já tinha decidido que o livro ficaria com três estrelas. E aí tudo mudou e eu não tive como manter isso, afinal, uma coisa muito grave (ao meu ver) me fez tirar a terceira estrelinha da história. Gordofobia. Gordofobia em um dos seus estilos mais perigosos, em minha opinião. O estilo que tenta deixar tudo leve e engraçado, mas que não conseguiu me fazer rir, muito pelo contrário, me irritou. A partir da metade do livro a cada duas páginas, sem exageros, a personagem comentava sobre como estava ficando gorda, sobre como ela não podia ser vista de biquíni, sobre como para usar um simples vestido ela precisaria usar não-sei-quantas cintas. E pior, sobre como ela ficou feliz ao ser paquerada, porque isso indicava, na cabeça dela, que ela não estava tão fora de forma assim. Tudo isso para a cereja no topo do bolo, onde ela convidada para um evento mega famoso que só modelos muito magras fazem parte. Em resumo, um pequeno show de horrores para quem é gorda, como eu, ler. Me dou muito bem com meu corpo hoje, mas imagino a Izabela de uns anos atrás lendo isso e ficando mal. Imagino muitas outras meninas lendo por aí e ficando mal.

E com isso, terminamos essa resenha por aqui. Me sentindo um pouco monstro por não ter curtido o livro que tinha tudo para ser um favorito. Para quem curte rockstars, indico a série Stage Dive, que mesmo com alguns problemas, é bem gostosinha de ler.

Conto de Fadas Rock'n Roll - O Vocalista
Autora: L.C. Almeida
Editora: Kindle
Páginas: 234
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Meu Skoob.