terça-feira, 15 de junho de 2021

O Príncipe Cruel (Holly Black)

Temos aqui mais um livro (da longa lista de livros) que eu estava enrolando muito para ler. Em parte, acredito que era por conta de toda atenção e coisas do tipo que rolam em volta dele (e isso me deu uma leve preguiça, quem nunca), mas aí o pessoal que me segue lá no tiktok me convenceu a comprar e ler o primeiro livro dessa série do povo do ar. E eu gostei. Sério, me surpreendeu demais. É uma fantasia (indicada para maiores de treze anos) e, dentro desse universo fantástico, é clichê (que eu amo) e é bem devorável. Claro, achei o meio um pouco lento (inclusive tirei meia estrela por conta disso), mas depois que pega o ritmo do final você não consegue parar de ler e... uau. Não tenho como não fazer comparações, uma vez que li duas fantasias muito famosas num espaço curte de tempo e, a verdade, é que o livro tem muitas coisas parecidas com A Rainha Vermelha. Nada de nível de plágio ou algo assim, mas ter lido esse livro antes, por exemplo, me fez adivinhar muito rapidamente qual seria o plot twist do outro livro citado. Ainda assim, apenas a receita de bolo é parecida (e é esperado isso), mas os livros em si e a história como num todo não segue por um caminho parecido de seres mágicos. Ok, vamos focar na história e no que achei no geral, não é mesmo?

Jude é humana, mas acabou crescendo no mundo das fadas. Quando era mais nova, ela e suas irmãs foram sequestradas pelo ex-marido de sua mãe e levadas para serem criadas nesse mundo mágico e completamente diferente. Por conta de todos os traumas que passou e de tudo que aprendeu ao longo dos dez anos que já passou com as fadas, Jude acredita que precisava fazer parte daquela de alguma forma. O que, em tese, era bem impossível, uma vez que as fadas eram muito mais atraentes e, para completar o combo, eram também imortais. A única forma de ela ser levada mais a sério, uma vez que eles desprezavam os humanos, seria vencendo batalhas e virando uma guerreira real. Ela queria se provar digna custasse o que custar.

E no meio de toda essa tentativa de se destacar, ela ainda precisava lidar com Cardan, um dos filhos do Grande Rei, que era um verdadeiro insuportável. Junto com sua equipe de fadas que se achavam maiores que tudo e todos ele acreditava que fazer a Jude passar vergonha e quase morrer era um passatempo bem legal. Mas ele nem era o maior dos problemas dela, afinal, em breve teria uma coroação e o clima estava muito tenso em todo reino. Uma guerra civil estava prestes a explodir e ela estava bem no meio de tudo aquilo. 

Eu gostei muito da Jude, mas eu não concordava com muitas das escolhas dela. Ela tem uma necessidade de aceitação que beira a a loucura (vamos levar geral para uma terapia aqui). Por ela não ser do mundo mágico, ela cresceu com essa ideia de que, mesmo sendo humana, precisava ser tão boa ou ainda melhor que eles. Mas, literalmente, isso era humanamente impossível. Claro, ela consegue coisas fantásticas por ser esperta e por, muitas vezes, estar no lugar certo e na hora certa, mas ainda sim eu entendia bem mais o lado da irmã mais velha dela querendo correr para a loucura normal dos humanos, porque as fadas são todas doidas e doidos. Ah! E as fadas não conseguem mentir. Sente só a bosta que isso daria aqui no nosso mundo, rs. Eu enrolei o que pude, mas vamos lá... vamos falar de Cardan. O príncipe que não é cruel, é apenas babaca.

Enquanto eu lia o livro (e comentei muito disso no vlog de leitura), fui entendendo quem era o príncipe cruel de fato e onde isso levaria a história, porque sério, tem muitos príncipes naquele mundo e até a gente entender onde vai chegar demora um pouco. Cardan, como comentei, até tenta passar uma imagem de cruel com seus fiéis seguidores, mas ele é só muito infantil, babaca e um péssimo ser humano que precisa de terapia mesmo. Esse também foi um dos fatores que me fez tirar a meia estrela (e se eu continuar falando dele, vou acabar tirando mais meia... então melhor eu focar e mudar logo de assunto haha). O povo é péssimo e tudo fica como normal, sabe? Ok, é uma fantasia e é um mundo inteiramente novo, mas ainda assim o número de gente babaca que faz maldade e acaba como se tudo estivesse normal é absurdo. Então é basicamente isso. Falando assim parece que nem gostei, mas pior que gostei (haha). A escrita é devorável (tirando o meio enrolado), a história em si é legal e você quer entender onde ela vai parar e, claro, o que acontece no final deixa aquele gosto de quero mais. Sim, vou ler as continuações, mas não por agora. Não é uma prioridade para mim no momento. Mas, para quem curte livros de fantasia, é sim uma ótima indicação e vale sim a pena.


o príncipe cruel
AUTOR(A): holly black
EDITORA: galera record
PÁGINAS: 322
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sexta-feira, 11 de junho de 2021

A Rainha Vermelha (Victoria Aveyard)

A verdade é que eu nunca tinha tido vontade de ler esse livro. É claro que já tinha visto algumas (muitas) pessoas comentando sobre, mas sempre que eu olhava para o livro batia uma preguiça de leve. Até que, recentemente, (quase) todo mundo que me segue no tiktok começou a perguntar o que eu tinha achado do livro e eu já estava oficialmente sem graça de responder que eu ainda não tinha lido. Basicamente o mesmo que aconteceu com O Príncipe Cruel, que já tem vlog no canal e a resenha vai ser a próxima aqui no blog. Eu finalmente tomei vergonha na cara e... gostei. O livro tem uma vibe Jogos Vorazes, A Seleção e isso tudo batido no liquidificador com os quadrinhos dos X-Men. Inclusive, depois que eu li e comentei isso lá no meu perfil do tiktok muita gente me contou que, de fato, a autora se inspirou muito na saga dos mutantes da Marvel. É um livro de fantasia, mas também é uma distopia e muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Além do mais, a personagem principal é mega debochada e eu adoro isso. Achei o final um pouco previsível, mas nada que atrapalhasse a minha leitura. No final das contas, o livro acabou com cinco estrelas e eu li em uma tarde. O que mostra que ele é bem devorável, mesmo que tenha um meio um pouco lento e um começo um pouco enrolado. Ahn? Eu explico. O universo é apresentado meio que correndo, sabe? Então muitas vezes eu me sentia perdida nas explicações do começo, mas depois peguei o ritmo dos vermelhos e prateados... e da Mare. Ah! O livro é indicado para maiores de treze anos. Agora vamos para a resenha em si, eu sei. 

Mare vive em um mundo dividido pelo sangue. Os que têm sangue prateado são grandes líderes do mundo e dominam as grandes riquezas com seus poderes mágicos. Os de sangue vermelho, como a família de Mare, são os trabalhadores que vivem uma vida humilde e esquecida, afinal, eles não têm poderes. Para ajudar em casa, Mare acaba se tornando uma grande ladra em sua pequena cidade, ela não se orgulhava disso, mas precisava sobreviver e ela sabia que em breve teria que partir para a guerra por conta de sua idade e de ainda não ter conseguido um emprego de verdade. Numa tentativa de fugir de tudo isso, ela acaba cometendo um grande erro em uma de suas tentativas de roubo e isso muda por completo o rumo de sua vida. Ela achou que estava acabada, mas na verdade havia conseguido uma vaga de emprego como servente no palácio do Rei. E tudo estava muito agitado por lá, uma vez que o príncipe mais velho, Cal, estava no meio de uma seleção para escolher sua futura esposa, que viria a ser a futura rainha. A competição era um concurso de miss, mas com o diferencial que cada menina estava li para mostrar o quão fantástico e único era o seu poder mágico.

Sem querer, Mare acaba caindo (literalmente) para o meio de uma das apresentações e descobre ali, na frente de tudo e todos, que também tinha poderes mágicos. Espera. Ela sangrava vermelho. Ela não pode ter poderes. Algo está muito errado em toda essa situação e é exatamente por isso que o rei e a rainha resolvem tirá-la de toda atenção e criar um plano. Contariam para todos que ela, na verdade, era uma prateada perdida que havia sido encontrada após muitos anos e, para completar o pacote, ela ficaria noiva de um dos príncipes mais novos, assim todos poderiam mantes os olhos nela, que naquele momento era uma aberração nada bem-vinda ao mundo dos prateados. Enquanto tudo isso acontece, alguns vermelhos rebeldes estão planejando destruir a monarquia e lutar pelo direito deles. Mare precisa decidir de que lado da história ela vai ficar e isso tudo enquanto descobre de fato quem ela é e como seus poderes funcionam. Ah. E isso tduo enquanto tenta lidar com seu coração apaixonado também.

Foi muito difícil não fazer comparações enquanto eu lia esse livro. Afinal, toda a história de O Príncipe Cruel estava muito fresca na minha cabeça e os livros, além da fama no mundo das fantasias, vão por um caminho bem parecido de narrativa. O que me lembra que eu achei o final de A Rainha Vermelha previsível (com todo o combo do plot twist) porque eu segui a lógica do que tinha rolado no outro livro já citado. Tiro e queda (literalmente, rs). É uma grande receita de bolo que é seguida... mas uma receita de um bolo gostoso e que funciona. Mas como disse no começo, eu gostei demais do livro e ele é super devorável. Gostei muito da Mare também, tem muito de Katniss nela. Não só por ter um apelido (a Katniss, de Jogos Vorazes, é a garota em chamas e a Mare é a garota elétrica), mas por acabar no meio de uma causa e tudo depender muito dela, mesmo que sem querer. Indico demais para quem gosta de fantasias, mas curte muito distopia também. Ainda não li as continuações, pois ainda não tenho os livros, mas devo ler ainda esse ano (mesmo com tanta gente me falando que o segundo livro é péssimo).


a rainha vermelha
AUTOR(A): VIctoria aveyard
EDITORA: seguinte
PÁGINAS: 422
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quinta-feira, 10 de junho de 2021

Quinze Dias (Vitor Martins)

Faz um bom tempo que acompanho o lado literário do Vitor na internet, mas por motivos até então desconhecidos, eu ainda não tinha lido seus livros. Ah! Que besta que fui. Eu simplesmente amei Quinze Dias e já estou com o outro livro dele (Um Milhão de Finais Felizes) aqui na estante para ler em breve. Mais um livro que entra para a lista de livros que eu precisava ter tomado vergonha na cara antes para ter lido logo, mas antes tarde do que nunca. O livro é leve, divertido, inteligente e rápido. Além do que, ele te faz torcer demais pelo personagem principal e é impossível não se sentir um pouco parte da história. Um garoto gordo (e aí eu já me identifico demais) com dificuldade de aceitar seu corpo e ainda lidando com o primeiro amor passando um tempo bem ali na casa dele. É sobre ser você e estar tudo bem. É sobre buscar melhores versões de quem você é também. É sobre amar alguém, mas aprender a se amar pro meio. É claro que ficou com cinco estrelas e ainda levou um coração de favorito de brinde (haha). O livro é indicado para maiores de quatorze anos. Ah, eu já contei que tem uma boia de flamingo para piscina que se chama Harry Styles nessa história? E que é um livro de temática LGBTQIA+? E que aborda temas mega importantes incluindo fazer terapia? Sério. Leia. Obrigada. De nada.

Felipe está sonhando com as férias provavelmente desde que as aulas haviam começado. Seus colegas de sala sempre achavam um novo motivo para atormentá-lo durante as aulas e poder ficar em casa colocando as séries e livros em dia parecia um verdadeiro paraíso. Além do que, ele poderia assistir também muitos tutoriais úteis no youtube que ele sabia que nunca testaria, mas que eram bem legais de assistir. O que ele não espera (de forma alguma) é que o grande crush da sua vida iria passar quinze dias em sua casa. Isso mesmo. Quinze dias dividindo o mesmo quarto e as mesmas atividades com o menino pelo qual ele sempre teve uma queda. Caio era o vizinho do prédio que tinha passado a infância brincando com o Felipe na piscina. Inclusive, ele amava demais a piscina, mas desde que tinha crescido e ganhado peso, Felipe não chegava nem perto de uma roupa de banho ou da piscina. E, também por isso, ele tinha perdido muito do contato que tinha com Caio.

Os pais de Caio não confiavam muito nele, muito por ele ser gay e eles acharem que isso era algum tipo de desvio de caráter, mas muito por serem protetores demais também. Exatamente por isso, mesmo o filho tendo dezessete anos, eles o mandam para a casa do Felipe, uma vez que a mãe do Caio confia muito na mãe do Felipe, para passar os tais quinze dias. E é aí que nossa história realmente começa. Felipe sente algo muito sério por Caio, mas morre de vergonha de até mesmo respirar perto dele. Ele não tem problemas com o fato dele ser gay também, mas o corpo dele o faz criar uma bolha de contato social. Por sorte, sua psicóloga cria um desafio para que ele converse com Caio... uma conversa de verdade mesmo. Aos poucos ele vai perdendo a vergonha e criando a coragem de conversar sobre tudo um pouco e ele percebe que Caio também sente alguma coisa por ele. Além do mais, eles têm muitas coisas em comum, entre sonhos, gostos, medos e muito mais. 

Torcer pela felicidade do Felipe é fácil. Ele é um personagem que te faz ficar feliz, que te faz torcer por ele e pela vida dele. Que você sente que conhece desde sempre, sabe? Claro, o Caio também é fantástico e você se diverte muito com ele e acaba torcendo demais (principalmente para que a família dele o aceite do jeitinho que ele é), mas como ele não é o narrador da história acabamos focando mais no Felipe mesmo. Mas no final das contas, ao torcer para um... torcemos para os dois (hehe). Os personagens secundários, que no caso são as migas de Caio e a mãe do Felipe, também roubam a cena quando aparecem, de um jeito que eu adoro. Sério, a mãe do Felipe é maravilhosa e me diverti demais com as cenas dela. Inclusive, comentei no vlog de leitura que ela me lembrava muito a mãe da Mia, de O Diário da Princesa. Em resumo, é um livro sobre descobertas, primeiros amores, aceitação e ser feliz. Enfim, o livro é fantástico e eu realmente indico demais. Se joga! 


quinze dias
AUTOR(a): vitor martins
EDITORA: alt
PÁGINAS: 206
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quinta-feira, 3 de junho de 2021

Foi Assim que Tudo Explodiu (Arvin Ahmadi)

Estava muito curiosa para ler esse livro (que recebi de parceria com a editora), uma vez que muita gente tem falado tantas coisas maravilhosas sobre ele. De fato, ele é fantástico, delicado e importante... mas eu achei um pouco cansativo também. O livro é narrado de duas formas diferentes e tudo ao mesmo tempo, o que gera um dinamismo legal, mas acabou que eu gostei muito de uma das narrativas e a outra me cansava um pouco. Isso não atrapalhou muito a leitura em si, uma vez que levei duas horas para ler o livro (o que indica que ele é devorável), mas, ainda assim, ele acabou ficando com quatro estrelas porque, além disso que comentei, acho que ficou faltando alguma coisa na reta final. Eu gostei do final, mas acho que baseado nas expectativas que eu tinha criado, pelos comentários sobre a história que eu estava lendo, estava esperando um pouco mais (aí o problema já é meu também, né, rs). O livro é indicado para maiores de quatorze anos e explora as aventuras de um jovem recém (quase) formado do ensino médio enquanto ele busca caminhos para sair do armário para sua família. Ok, vamos focar na resenha em si, eu sei.

Amir estava se descobrindo aos poucos. Ele sabia que era gay, sempre soube, mas sabia também que sua família teria dificuldades de lidar com essa informação, exatamente por isso, ele planejava estar bem longe na faculdade quando contasse para eles. Mas as coisas não estavam saindo muito como o planejado, os valentões da escola haviam descoberto sobre ele e seu então namorado, que acabou também nem dando tão certo, e estavam ameaçando contar para todos o grande segredo dele se ele não conseguisse muita grana para eles. Ele fazia alguns bicos escrevendo páginas para a wikipedia e conseguia ganhar um dinheiro legal com aquilo, mas os valentões queriam ainda mais e, na véspera de sua formatura, ele decide que não vai deixar uma pessoa má controlar a sua vida. Ele pega o dinheiro que tinha juntado para calar uma pessoa e se joga no mundo, literalmente.

Amir vai para na Itália, depois de ter se apaixonado pelo tipo de sorvete de lá no aeroporto de Nova Iorque. Ele conhece pessoas que, como ele, estão se descobrindo e a cada encontro com essas pessoas ele vai percebendo seu lugar no mundo e o quão fantástico é viver sem se esconder. O problema é que os dias de vida dos sonhos estão com os dias contados, quando sua família aparece em peso para buscá-lo. Ele sabia que o momento da conversa chegaria e que seria tenso, mas nunca que ele imaginou que seria em uma sala de interrogatório do aeroporto e com a polícia em volta deles. Ele precisaria contar cada detalhe da sua verdade para não perder a liberdade de toda a família. E foi assim que tudo explodiu...

Como falei, o livro é narrado de duas formas diferentes. E isso vai acontecendo enquanto vemos uma contagem regressiva para o dia em que tudo explodiu na cara do personagem principal. Me lembrou muito os episódios das séries criminais que eu amo ver, mas que me dão um leve nervosinho. O livro começa com eles (a família) na sala de interrogatório do aeroporto, para onde foram levados depois de um desentendimento dentro do avião. O que por si só já é algo que levanta muita discussão, uma vez que são uma família árabe. Então tem todo esse debate (necessário) sobre as entrevistas aleatórias dos aeroportos com certas pessoas. Ok, partindo disso, vamos vendo os dias anteriores de tudo que Amir viveu nas últimas semanas e um pouco dos últimos meses também. E cada capítulo desse tem como título quantos dias antes do episódio do aeroporto foi o ocorrido narrado. Esses capítulos foram os que mais me cansaram. Eu gostei demais do dinamismo dos capítulos que eram as entrevistas com a família na sala do aeroporto. Eles contavam de forma muito mais devorável os acontecidos e me prendia bem mais. Claro que era importante ver essa retrospectiva que rolava nos capítulos do menino na Itália, mas foi isso que senti. Ah! E falando do que senti, já que comentei que episódios de séries assim me dão nervosinho... é porque já sabemos que "deu tudo errado" e vamos vendo todo o caminho até lá e isso me deixa levemente ansiosa.

Agora o autor que se vire. Eu quero um livro todinho sobre a irmã do personagem principal. Sério, onde que assina para ler mais sobre a Soraya? A menina roubava a cena da história por completo quando aparecia como narradora e, para completar, mesmo ela falando sobre o irmão eu queria era saber mais do musical que ela estava ensaiando e sobre ela brincando de detetive para descobrir o que estava rolando. Agora que já falei da estrela do livro, vamos focar no personagem principal (hehe). Amir e o crescimento dele na história é algo gostoso de acompanhar, mas, ao mesmo tempo, é meio irreal sabe. A graça dos livros, no geral, é te fazer acreditar até mesmo no inacreditável, mas desde que a história te faça sentir assim. Eu não estava comprando muito a ideia do menino de dezoito anos que juntou o dinheiro com a wikipedia e viajou sozinho e a louca para a Itália. Acredito que como esses trechos eram narrados pro meio da parte que achei mais dinâmica isso atrapalhou (para mim) também. Mas no geral, da parte da Itália, adorei ver ele conhecendo as pessoas e se conhecendo de brinde. No geral, é um livro muito incrível com uma história muito importante (por vários fatores). Indico demais por ser uma leitura leve, rápida e importante. Para quem gosta desse tipo de narrativa (da contagem regressiva de acontecimentos) é ainda mais perfeito.


foi assim que tudo explodiu
AUTORA: arvin ahmadi
EDITORA: alt
PÁGINAS: 294
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terça-feira, 1 de junho de 2021

O Livro dos Vilões (Vários Autores)

Eu já tinha lido o conto escrito pela Carina Rissi que faz parte desse livro, inclusive, a resenha dele (que acabou saindo como um livro único depois) foi publicada aqui no blog uns quatro anos atrás. Eu li esse livro pela Árvore de Livros num dia em que estava com vontade de ler alguma coisa bem levinha e rápida. Mal sabia eu que ia passar muita raiva com um dos contos (hehehelp), mas no geral é um livro legal e bem escrito, tirando o bendito do primeiro conto que eu queria ignorar a existência. Exatamente por isso, o livro acabou com três estrelas e meia. Temos quatro autores diferentes reescrevendo algumas das histórias dos contos de fadas, mas focando por completo no lado dos vilões. As escritas são bem diferentes, mas combinaram muito bem com as histórias escolhidas. 

Temos a Carina contando um pouco sobre uma nova versão de A Branca de Neve pelos olhos da madrasta. Além disso, passamos por uma versão completamente repaginada de A Bela Adormecida (que tinha tudo para ser a melhor do livro, mas perdeu por completo o rumo e teve um final duvidoso e meio problemático). Até mesmo o Lobo Mal faz parte de um dos contos e achei bem legal como o mundo mágico dos contos de fadas foi retratado nessa versão. E por último (e menos importante) temos a versão das irmãs de Cinderella e o caos que esse conto é. Juro, é absurdo atrás de absurdo com poucos detalhes que conseguimos salvar, mas que perdem o destaque no meio de tanta coisa problemática. Como é um livro com quatro contos de quatro autores diferentes, vou contar mais um pouco sobre cada conto de forma geral, afinal, qualquer coisa além que eu fale sobre pode acabar virando spoiler. Além disso, teve vlog de leitura lá no canal e acabei comentando muito por lá também. 

O conto da Cecily Von Ziegesar (autora de Gossip Girl!) é um grande show de preconceitos, gordofobia, caos e machismo. Eu fiquei muito animada com toda a ideia de ver esse lado das irmãs da Cinderella, ainda mais porque a história se passa em Nova Iorque, mas o trem desandou de forma desastrosa. A ideia em si era boa, as irmãs iam para um baile famoso dos alunos da cidade com notas boas, elas queriam o sapato da moda, que só tinha no tamanho da Cinderella, e mais alguns detalhes bem legais e criativos (como a mocinha não dando muita bola para o pseudo-príncipe). Mas a grande maldade das irmãs e como a Cinderella reage a tudo isso é um grande caos. Comentários absurdos, machistas e gordofóbicos que me deixaram chocada e sem entender como ele foi publicado nessa leva (ok, a autora é famosa, eu sei).

O conto da Diana Peterfreund que foca no que seria uma Malévola atual, da história da Bela Adormecida foi o mais legal, mas também caminhou para um final problemático e levemente desastroso. Se segurou naquele clichê de adolescente que muda por completo para se encaixar na escola, mas acabou de forma rápida (deixando quase sem solução o drama) e, quando parei para analisar, percebi que o buraco era mais em baixo e tinha sido algo delicado e problemático real. A personagem principal vinha de uma família de bruxas (que fazia poções e pequenos encantamentos para as pessoas da cidade) e um dia ela resolve que queria estudar na escola. O que ela não imaginava era que ser uma adolescente "normal" era muito complicado e isso implica romances que não funcionam, amigas falsas e uma festa com um fim bem duvidoso.

O conto da Carina Rissi é mais fácil eu colocar um ttrecho da resenha que escrevi quatro anos atrás, por mais que eu de fato tenha relido agora também. "Eu acho que estava esperando um pouco demais e, por conta disso, quebrei um pouco minha cara. (...) Não me apeguei a personagem principal, fiquei com preguiça de ler em alguns momentos e fiquei sem entender como que isso podia estar acontecendo. Aqui vamos falar da história da Branca de Neve, pelos olhos da Madrasta. (...) Eu tentei gostar da Malvina, eu juro que tentei, mas vilã de conto de fadas não me desce (haha). Entendo que ela não deixaria de ser malvada, afinal, é apenas uma releitura do conto, mas meu Deus, que personagem irritantemente metida. Mais uma vez, sei que essa é a personagem, que faz sentindo e tudo mais, mas você não consegue entendê-la, nem torcer por ela e, para falar a verdade, nem por ninguém ali. A ideia era mostrar o lado da Malvada, mas continue torcendo pela mocinha, rs. (...) Carina não deixou de ser Carina. Afinal, podemos ver todos os detalhes do clássico nas entrelinhas e isso é bem legal. Mas acho que teria curtido mais se fosse pelo ponto de vista da Bianca, teria mais torcida e até uma estrela a mais no final.

Por último, mas não menos importante, temos a versão do Lobo Mal por Fábio Yabu. Esse foi o que mais me surpreendeu, mas também o que menos me prendeu. Todo o drama em volta do mundo dos contos de fadas e as escolhas (ou não) dos personagens e como aquilo vivia se repetindo é algo muito legal e genial, mas a escrita não me segurou muito (o que não quer dizer que seja ruim, é só que não foi muito para mim). Foi o conto em que o vilão de fato mais se destacou e que seguiu toda a ideia do livro mais a fundo. Como eu disse, bem criativo.

Vale a pena? Olha, acho que vai muito do gosto de cada um. No final das contas um pouco de cada (menos o da Cinderella) valeu bem a pena para mim, mas definitivamente não viraria uma releitura no futuro. 


o livro dos vilões
AUTORA: vários autores
EDITORA: galera RECORD
PÁGINAS: 320
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